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OPINIÃO: Finalmente, Beyoncé!

Por Erika Araujo & Angel Keys

O que uma música, uma coreografia e um figurino podem causar no mundo político e cultural?


Se for no mundo dos meros mortais como nós, NADA! Entretanto, se quem canta essa música, e faz referências aos Panteras Negras (um dos movimentos negros mais polêmicos e importantes dos EUA) com figurinos e coreografias, é a BEYONCÉ, a história muda de figura e tem proporção mundial, ameaça de boicote e, acreditem, até protestos!

Acostumados com a artista que teve sua arte moldada para o consumo e lucro branco, e que tem uma imagem, que se aproxima do que eles acham ser aceitável, deve causar uma grande revolta constatar que ela não é dominada pela indústria, como eles pensavam.

Não é segredo para ninguém que Beyoncé nunca foi rainha para o movimento negro norte americano. Acusada de se "branquear" para ser aceita no show business, a comunidade negra a denominava omissa e superficial com as causas da classe, desperdiçando a sua  visibilidade para apoiar de fato o movimento negro nos Estados Unidos.

Como se não bastasse lançar um vídeo escancarando para o mundo os problemas e descaso com os afro-americanos e enaltecendo o empoderamento negro, para eles é muita audácia  Beyoncé aparecer no centro do gramado do show do intervalo do evento mais assistido do país, para 111 milhões de telespectadores,  cantando "Formation" com suas dançarinas vestidas como as ativistas dos Black Panthers (Panteras Negras) e com coreografia em homenagem ao Malcom X,  assumindo artisticamente o seu orgulho negro (não que em algum momento ela tenha omitido).

Se para a comunidade negra  é motivo de orgulho uma das maiores artistas do planeta assumir em rede nacional, sua negritude e apoio ao Movimento #BlackLivesMatter, para alguns isso pode ser um grande problema. Afinal, quem ela pensa que é para fazer uma declaração dessas?!?

"Meu pai  é do Alabama 
Minha mãe de Louisiana
Você mistura aquele negão com aquela crioula
e faz uma Texana.
Eu gosto do cabelo afro do meu bebê
Eu gosto do meu nariz de negro 
como os Jackson's Five.
Ganhei todo esse dinheiro
mas nunca tiraram o que estava dentro de mim.
Eu tenho molho picante na minha bolsa".



Ela é BEYONCÉ! Uma das artistas mais bem paga  e respeitada do mundo, que resolveu abalar todas as estruturas dos racistas e preconceituosos que por 400 anos enfiaram goela abaixo toda sua hipocrisia e dominação no Mês da História Negra ( Black History Month) aqui nos EUA, no Super Bowl, um evento assistido também pela "supremacia" branca e conservadora extremista.

Se os policias representados no vídeo, rendendo-se à uma criança, metaforicamente simbolizando a esperança é algo tão horrível, ver Beyoncé homenagear o movimento criado em 1966 para proteger os cidadãos da violência policial, é no mínimo inadmissível.

Há  ainda quem considere essa só mais uma de suas performances, mas não esqueçamos que a arte e conscientização são resultados uma da outra. O poder dos artistas na história do movimento negro dos Estados Unidos é inegável e imensurável.

Se eles acham mesmo que esse protesto no prédio da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) marcado para a próxima semana, e as campanhas de boicote ao lançamento do novo álbum de Beyoncé,  tendo como desculpas que ela está “incitado as brigas raciais” anularão o marco histórico que sua performance causou, eles estão enganados!

A única coisa que eles precisam saber é que seu fandom está em "Formation", para garantir mais um grande sucesso!





Para que você entenda:

Black History Month


Desde 1976 foi estabelecido nos Estados Unidos que Fevereiro seria o mês dedicado à louvar as conquistas dos negros nos Estados Unidos.

Esse movimento teve seu início em 1926, onde as celebrações ocorriam apenas na segunda semana de fevereiro, denominada Negro History Week (Semana da História do Negro). Idealizada pelo Dr. Carter G. Woodson, o período foi escolhido para coincidir com os aniversários de Abraham Lincoln e Frederick Douglas, duas figuras essenciais para a história da comunidade negra nos EUA até então.

Após o movimento pelos direitos civis dos negros norte americanos nas décadas de 50 e 60, e o movimento Black Power na década de 70, a semana da história do negro ganhou ainda mais força, culminando na criação do Black History Month em 1976.

Desde então, o mês tem sido palco para aprofundamento sobre a história do negro norte americano em escolas, igrejas , universidades, e também tema para um pronunciamento presidencial.

Black Panthers Party


Foi um polêmico grupo revolucionário americano, fundado em outubro de 1966, que  patrulhava os guetos (bairros negros) para proteger seus moradores contra a violência policial. Eles defendiam a resistência armada contra a opressão, e reivindicavam a isenção do pagamento de impostos, o pagamento de indenizações aos negros por "séculos de exploração branca" e a libertação dos negros da cadeia.  O movimento se espalhou pelos Estados Unidos e atingiu seu período de maior popularidade no final da década de 1960, quando chegou a ter escritórios nas principais cidades do país. 

Após perseguições do FBI, tiroteios com policias e assassinatos de membros do partido, o movimento mudou as estratégias e passaram a se dedicar à atividade política convencional e à prestação de serviços sociais às comunidades negras. No início dos anos 80, o Partido dos Panteras Negras foi desfeito.

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